Mostrando postagens com marcador Fonte: Autor - Pe.Airton Freire. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Fonte: Autor - Pe.Airton Freire. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

A Pa(lavra) - Fevereiro 2013

“Eu vos deixo a paz, eu vos dou a minha paz; não a dou como o mundo dá. Não perturbem-se, nem temam. [...] Ele muda o tempo e as estações” (Jo 14,27; Dn 2,21) 

 Se desassossegada estiver a tua alma, se inquieto estiver o teu coração, lembra: qual a estação que dura para sempre? Qual o rio que não conhece cheias, inundações, períodos de pouco manancial de água em baixa estação? Se por alguma razão, tu, atualmente, estás vivendo o que te faz aflito, lembra-te de que em tudo há uma lição. Convém que não percas a direção daquilo de que és mais convicto e que por nada nem por ninguém venhas tu a desistir do que dá sentido a tua existência, aquilo de que não vale a pena abrir mão.  

O tempo que tu estás vivendo pode ser de alegria ou de sofrimento e, como já sabes que nada dura para sempre, saibas, então, igualmente, que existe um propósito em tudo que te esteja acontecendo. Não digo isto para que tu possas te conformar, resignar-te, como se em relação ao que te acontece nada mais tivesses a fazer. Digo-te isto para que não percas a tua paz, afinal, não podes dizer de nenhuma situação “tanto faz”, nem viver somente em função do que te apraz. Existem plantações que precisam de podagens para que possam crescer mais fortes. É preciso que também experimentes certos limites para que percebas o valor do que tu tens no teu presente. 

Que nada tire a tua paz, que nada inquiete o teu coração. Quer estejas alegre, quer estejas triste, no bem persiste, não desistas. Afinal de contas, existem coisas de que nem valeria a pena fazer tanta conta. Que nada tire a tua paz, que nada perturbe o teu coração. Em tudo, existe um propósito, uma razão de ser para que possas guardar, de tudo o que te ocorre, uma lição. No tempo que te for favorável, no tempo propício, a mudança acontecerá. Se tiveres persistido na confiança e na fidelidade, haverás de triunfar; no final, o bem, então, triunfará. A Verdade, com seu esplendor, a todos, a ti inclusive, iluminará. Nada tenhas, portanto, a temer. Se Deus estiver contigo, o que haverás de recear?


terça-feira, 3 de janeiro de 2012

A pa(lavra) - Janeiro de 2012

“Esquecido do fica para trás, lanço-me para o alvo”
( Fil 3, 12 )

Com dúvidas e certezas, em tua vida, haverás de conviver. Hás, contudo, que ponderar e entender, a fim de que as certezas não te levem a ufanar-te, nem as dúvidas a paralisar-te, como é comum acontecer. Ufanar-se equivale a inebriar-se. E aqueles que se inebriam, não tendo equilíbrio, acabam por cair ou se perder. As tuas dúvidas, dunas que são, ao longo de tua vida, haverás de ter. Elas te levarão a aprofundar tuas certezas, a não as absolutizar, a fim de que não caias nas antigas valas, mas a agir com serenidade e firmeza. Dúvidas e certezas, a depender da forma como vieres administrar, poder-te-ão amadurecer e fazer-te crescer. Todavia, vindo a se tornar perdido teu equilíbrio, no precipício do que não te dará abrigo, serás lançado. Deserto, então, a partir daí, constituir-se-á viver sem sentido, fazendo da dúvida crença, como assim fazem os que vivem isolados.
Confundindo razões e sentimentos, viverás em turbilhões, qual areia e vento, sem destino certo aonde tudo isso te levará. Razões, na vida, haverás sempre de dar, mesmo para o que razão nenhuma haverá. Vindo isso acontecer, distante da estrada que leva aos oásis, começarás a te mover. Até para motivações não claras, quando um querer quiser se impor, razões aí, de certo, haverá para “explicar” e mostrar que a verdade ao teu lado nisto está . É “nisto” que de perdas haverás de te acompanhar. E se te identificares com tuas dúvidas, não procurando as razões primeiras do que te faz duvidar, a água, a que vem da fonte e alimenta mananciais, poderá te faltar. Duvidando, a ponto de acreditar que, na dúvida, reside o sentido, fazendo da fé desmentido, incorrerás em superposições de contraditórios, a mercê do ilusório, o que em nada resultará. Perderás, então, o equilíbrio e darás ao que dispersa um valor indevido, no que reside grande perigo. Maior, contudo, é o que, primeiramente, dentro de ti estará. Pois, se com dúvidas e certezas, ao longo de tua vida, poderás, muito bem conviver, o que não podes é o senso de orientação vir a perder, início que seria da perda do sentido de viver. Longa travessia, em desertos, assim, iniciarias e, sem rumo, a lugar algum chegarias.
Se não vieres bem te administrar, não saberás, no momento devido ou nos inesperados, como bem te haver. Isso quem viver verá: dúvidas e certezas, na vida, sempre terás. Importa, pois, como em equilíbrio constante se manter.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

A pa(lavra) - Dezembro de 2011

“Olhai as aves no céu, Olhai os lírios do campo” (Mt 6,26)

É preciso saber se o que havia, na largada, corresponde ao que se encontra na chegada. Há quem parta e se reparta e, após a parte ida, permaneça, por (in)devido, no mesmo lugar. Há pessoas que dão passos em direção a um objetivo e, por inteiro, não se fazem presentes, (in)oportuna(mente), onde quer que venham a chegar. Elas tiveram a partida, a largada, contudo, não saíram, permaneceram no mesmo lugar. A par(ti)da é a parte que vai da outra que fica. Quando algo parte, também se reparte e o mesmo, depois, não será. Por isso, é preciso saber o momento exato de avançar e de recuar. Nem só quem atravessa desertos pode se perder ao ir ou ao voltar. Aquele que faz avanços pode, no afã, na ânsia, precipitar-se. Aquele que recua o faz para melhor se preparar ou porque encontra alguma razão que o impeça de avançar. Os dois lados, em qualquer questão, é preciso sempre analisar. Se tu pensas em recuar, que seja em vista de um fortalecimento, de modo a, depois, seguir em frente. E quando decidires avançar, precisas, de antemão, ter certo aonde tu queres chegar, porque de recuos e avanços há, na vida, quem se canse.
Algumas paradas, ao longo do caminho, é preciso realizar. Quem sempre caminha adiante e sem parar não encontrará na própria caminhada a razão de continuar. É árido todo o percurso que se faça sem objetivo claro o qual se pretende alcançar. A caminhada, contudo, por si mesma, não dá a razão de poder e querer avançar. O caminho é o meio, a caminhada é o momento, mas a razão precisa estar presente tanto no início quanto no que se intenta alcançar objetivamente. Sem clara razão, é vão continuar. Não há, sem razão, para que recuar ou avançar. Seria o mundo do sem sentido de viver por viver, apenas vegetar. Uma motivação clara, razão primeira que justifique o início da largada e o ponto de chegada, antes de teus passos efetivarem o percurso, é preciso encontrar. Do contrário, na aridez da insensatez, viver-se-á, quais passantes que fazem travessia, movidos pelo impulso de encontrar um espaço que não aquele que estejam, então, a ocupar.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

A pa(lavra) Outubro de 2011

A pa(lavra)

Outubro de 2011

“Permanecei em meu amor”.
(Jo 15,9)

O que encontra pousada no coração se antepõe ao que vem pelo nome de coação. A ação que coage é ação produtora de fruto que, se age, não permanece; mas apenas surgindo, fenece, não floresce.
O que pousa no coração e lhe confere sentido faz com que os teus atos sejam devidos e não por indevido venham a acontecer. Aquele que coage não age, apenas executa o que se há por fazer. Aquele que age por coação não expressa o seu ser na sua ação, mas apenas o medo de não ser aniquilado, e o medo que leva a agir não faz o novo, a partir daí, emergir. O que pelo bem repousa no coração dá cor à ação. Nada fica aquém ou além do que vem pela coação. Coração e coação estão em lugares diferentes. Agir com o coração dá cor à ação; agir por coação é dar asas ao medo, limiar do desespero, negação do ser.
Se tiveres, pois, de enfrentar determinada situação, agindo com o coração ou por coação, está em ti aceitar ou recusar tal posição. Para tanto, um preço haverás de pagar. Viver, afinal de contas, é ter que optar. Tu não podes estar aqui, estando, ao mesmo tempo, lá. Que tua opção se faça em razão de um sentido, porque agir pelo não sentido é ser perpetuamente coagido, “é anoitecer sem ter amanhecido”. Aquele que, apenas coagido, por medo, por precisão, por ilusão, por alguma dada razão, não traz consigo nenhuma eficácia que garanta continuidade de ação.
É tua a decisão.

domingo, 4 de setembro de 2011

A pa(lavra) - Setembro de 2011

O que não chega a ser concluído deixa o que como lição? 
O inconcluso faz apelo ao sentido sempre em uso. Todo ser, ao ser interpelado, há de responder com o que faça sentido, o adequado. 
O inadequado abre espaço ao frustrável. O inadequado deixa o ser não situável. Por isso, o inconcluso apela para aquele que interpela. Sem sentido, nenhum sentido há de haver. 
O sentido torna apto a viver quem o procura. O sentido questiona a exclusividade de um ato. Destituída de valor é toda ação que faz da exclusão seu objetivo ou principal valor. 
É preciso em tudo ser preciso. O impreciso é sem lugar e alvo. Que o adequado esteja presente em cada ato que tu vieres a empreender; pois inadequada é tanto a imprecisão quanto iniciar e quanto deixar por se fazer. Antes de iniciar, convém ter claro aonde se quer chegar. Fazer sem sentido não faz sentido. 
O sem sentido é o inconcluso do ainda não acontecido. É a parte do que poderia muito bem ter sido. O concluso efetiva o sentido.

sábado, 6 de agosto de 2011

A pa(lavra) - Agosto de 2011

“O Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça”.
( Mt 8,20 )


A tranquila idade, mais do que o que se entende por idade-tempo, é o espaço onde ocorre a integração do ser humano com seus elementos. A tranquila idade é a idade relativa ao momento em que o ser humano, sentindo-se integrado, pode dar novos passos em conhecimento e comprometimento com novos elementos. Na tranquilidade, acontece sempre a integração (íntegra ação) com a ação que integra. A ação que integra conduz à oração (ora ação), ação orante, antes, durante e após cada situação. O que situa uma ação no seu tempo é vivê-la com maturidade, sabendo trabalhar com seus elementos. Saber trabalhar com os elementos significa posicionar-se de forma racional, equilibrada emocionalmente, de modo a responder aos apelos que cada momento faz e não se perder em nenhum. A tranquila idade, entendendo-se idade-tempo é o espaço onde acontece a integração. A íntegra ação é a ação que integra, a que permanece. Essa é a que não passa, a que não fenece.