segunda-feira, 5 de setembro de 2011

CAPÍTULO 8 - Como se deve evitar a excessiva familiaridade

1. Não abras teu coração a qualquer homem (Eclo 8,22); mas trata de teus negócios com o sábio e temente a Deus. Com moços e estranhos conversa pouco. Não lisonjeies os ricos, nem busques aparecer muito na presença dos potentados. Busca a companhia dos humildes e simples, dos devotos e morigerados, e trata com eles de assuntos edificantes. Não tenhas familiaridade com mulher alguma; mas, em geral, encomenda a Deus todas as que são virtuosas. Procura intimidade com Deus apenas, e seus anjos, e foge de seres conhecidos dos homens.
2. Caridade se deve ter para com todos; mas não convém ter com todos a familiaridade.
Sucede, freqüentemente, gozar de boa reputação pessoa desconhecida que, na sua presença, desagrada aos olhos dos que a vêem. Julgamos, às vezes, agradar aos outros com a nossa intimidade, mas antes os aborrecemos com os defeitos que em nós vão descobrindo.

domingo, 4 de setembro de 2011

A pa(lavra) - Setembro de 2011

O que não chega a ser concluído deixa o que como lição? 
O inconcluso faz apelo ao sentido sempre em uso. Todo ser, ao ser interpelado, há de responder com o que faça sentido, o adequado. 
O inadequado abre espaço ao frustrável. O inadequado deixa o ser não situável. Por isso, o inconcluso apela para aquele que interpela. Sem sentido, nenhum sentido há de haver. 
O sentido torna apto a viver quem o procura. O sentido questiona a exclusividade de um ato. Destituída de valor é toda ação que faz da exclusão seu objetivo ou principal valor. 
É preciso em tudo ser preciso. O impreciso é sem lugar e alvo. Que o adequado esteja presente em cada ato que tu vieres a empreender; pois inadequada é tanto a imprecisão quanto iniciar e quanto deixar por se fazer. Antes de iniciar, convém ter claro aonde se quer chegar. Fazer sem sentido não faz sentido. 
O sem sentido é o inconcluso do ainda não acontecido. É a parte do que poderia muito bem ter sido. O concluso efetiva o sentido.

Meditação sobre a Perseverança - Padre Pio

“Que Jesus e Maria sejam sempre louvados!
Jesus nos disse no Evangelho que o prêmio é destinado não a quem começa bem, nem a quem continua no caminho do bem por um certo tempo, mas a quem persevera até o fim.
Portanto, quem começou, procure perseverar sempre melhor. Quem está prosseguindo, procure chegar até o fim. E, quem desgraçadamente não começou ainda, ponha-se no caminho correto.
Esforcemo-nos todos em perseverar.
Sei que é uma tarefa bastante difícil. Porém, com o exemplo dos santos e com o auxílio da Virgem Santíssima, a graça de Deus, que está sempre pronta para quem a procura, nunca nos faltará.
Por isso, revistamo-nos de constância, de paciência e de perseverança.
E, então, se verificará em nós aquilo que o próprio Jesus nos disse no Evangelho: “Aquele que persevera até o fim, esse se salvará!”
Desejo a todos uma boa noite, cheia de graças e de bênçãos.
E uma benção muito especial não somente a vocês, mas a todos aqueles que estão nos seus corações; especialmente às suas famílias e as pessoas a quem vocês querem bem.
Mas, de modo especial, uma benção aos pobres doentes e aos sofredores. Que o Senhor infunda neles coragem e perseverança, e lhes dê saúde.
Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.
Que Jesus e Maria sejam sempre louvados!”

Santos - Fonte e Origem da Renovação da Igreja

Santa Rosália

Nascida em Palermo em 1130, viveu por alguns anos na corte de Rogério II, rei da Sicília, sendo seu pai Sinibaldo, descendente de Carlos Magno.

Quando tinha quatorze anos, a Santíssima Virgem apareceu-lhe e aconselhou-a a deixar o mundo. Rosália foi então viver numa gruta no monte Quisquita durante alguns meses e depois foi para o cimo do monte Pellegrino onde acabou por escolher este lugar até o fim de sua vida como lugar de retiro, pela áspera solidão que ofereciam seus penhascos rochosos inclinando sobre o mar azul.

Durante seus últimos dezesseis anos de vida, Rosália levou uma vida de dura penitência sendo alimentada miraculosamente pela Eucaristia. Morreu no ano de 1160, com a idade de 30 anos.

No Século XVII foi encontrado os restos mortais de Santa Rosália, mas, os ossos, recolhidos em uma gruta escavada entre as rochas, não traziam inscrição. O Arcebispo de Palermo, D. Giannetino Doria, constituiu uma comissão de peritos, composta de médicos e teólogos, que, em 11 de fevereiro de 1625, se pronunciou pela autenticidade das relíquias.

Isso reacendeu a devoção popular. Inseriu o nome da santa no Martirológio Romano em 15 de julho e em 4 de setembro.

Em 25 de agosto de 1624, quarenta dias após a descoberta dos ossos, dois pedreiros, enquanto executavam trabalhos junto ao convento dos dominicanos de Santo Estêvão de Quisquina, acharam, numa gruta, uma inscrição latina, muito rudimentar, que dizia: "Eu, Rosália Sinibaldi, filha das rosas do Senhor, pelo amor de meu Senhor Jesus Cristo, decidi morar nesta gruta de Quisquina." Confirmando, assim, as tradições orais da época.


Santa Rosália, rogai por nós!

sábado, 3 de setembro de 2011

Oração a São Pio de Pietrelcina - Padre Pio

Ó Deus, que doastes a São Pio de Pietrelcina, sacerdote capuchinho, o insigne privilégio de participar, de modo admirável, da Paixão de vosso Filho, por sua intercessão, dai-me a graça... que tanto desejo; e sobretudo concedei-me unir-me à Paixão de Jesus, para depois chegar à Sua gloriosa ressurreição.

Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai

Santos - Fonte e Origem da Renovação da Igreja

São Gregório Magno

Hoje, celebramos a memória deste Magno (Grande) de Cristo: São Gregório I. Nascido em Roma no ano 540, numa família nobre que muito o motivou à vida pública.

Gregório (cujo nome significa "vigilante"), chegou a ser um ótimo prefeito de Roma, pois era desapegado dos próprios interesses devido sua constante renúncia de si mesmo. Atingido pela graça de Deus, São Gregório chegou a vender tudo o que tinha para auxiliar os pobres e a Igreja.

São Bento exercia forte influência na vida de Gregório, por isso, além de ajudar a construir muitos mosteiros, entrou para a vida religiosa do "Ora et Labora".

Homem certo, no lugar certo, este foi Gregório que era alguém de senso de dever, de medida e dignidade. Além da intensa vida interior, bem percebida quando escreveu sobre o 'ideal do pastor':" O verdadeiro pastor das almas é puro em seu pensamento. Sabe aproximar-se de todos, com verdadeira caridade. Eleva-se acima de todos pela contemplação de Deus."

Com a morte do Papa da época, São Gregório foi o escolhido para "sentar" na Cátedra de Pedro no ano de 590, e assim chefiar com segurança a Igreja num tempo em que o mundo romano passava para o mundo medieval.

São Gregório Magno, Papa e Doutor da Igreja que conquistou o Céu com 65 anos de idade (no ano 604), deixou marcas em todos os campos, valendo lembrar que na Liturgia há o Canto Gregoriano, o qual eleva os corações a Deus, fonte e autor de toda santidade.

São Gregório Magno, rogai por nós!

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Homilia - João Paulo II

Tu és meu filho, hoje te gerei.
Eu serei para ele um Pai e ele será para mim um filho.
São palavras proféticas: falam de Deus que é Pai, no sentido mais elevado e autêntico da Palavra.
Disse Isaías: "Senhor vós sois o nosso Pai; nós somos a argila e vós sois o oleiro; todos nós somos modelados pelas Vossas mãos".
Sião dizia: ¨O Senhor abandonou-me, o Senhor esqueceu-se de mim. Acaso, pode uma mulher esquecer-se do menino que amamenta?
Ainda que ela se esquecesse , eu por minha vez nunca te abandonarei mais.
É significativo que nos trechos do Profeta Isaías, a paternidade de Deus ganhe conotações que se inspiram na maternidade.
Jesus anuncia muitas vezes a Paternidade de Deus nos olhares dos homens, referindo-se as numerosas expressões contidas no antigo Testamento.
Para Jesus, Deus não é apenas o Pai de Israel, o Pai dos homens, mas o seu Pai, o meu Pai:

Pater noster, Qui es in caelis, sanctificetur nomem tuum. Adveniat regnum tuum.
Fiat voluntas tua, sicut in caelo et in terra.
Panen nostrum quotidianum da nobis hodie. Et dimitte nobis debita nostra, sicut et
nos dimittimus debitoribus nostri.
Et ne nos inducas in tentationem: sed libera nos a malo. Amen.

Santos - Fonte e Origem da Renovação da Igreja

Santa Doroteia

Nascida em Cesareia da Capadócia no Século III, Santa Doroteia teve seus pais martirizados. Em sua liberdade e formação herdada principalmente dos pais, Doroteia escolheu viver sua juventude na castidade perfeita (virgindade consagrada), em jejum e com muita oração, atraindo desta maneira a afeição daqueles que eram testemunhas de sua humildade, doçura e prudência.

Doroteia foi uma das primeiras vítimas do governador Fabrício, que recebeu ordens imperiais para exterminar a religião cristã. Após um interrogatório, que não a fez renunciar a Jesus, ela continuava cheia de alegria, e dizia: "Tenho pressa de chegar junto de Jesus, meu Senhor, que chamou para si os meus pais".

Teófilo, um advogado, em tom de brincadeira, disse para Doroteia que enviasse do jardim de seu esposo frutos ou rosas, e Doroteia, levando a sério, disse que se ele acreditasse em Deus ela faria o que ele havia pedido.

Aconteceu que antes dela morrer, pediu uns instantes para rezar, chamou um menino de seis anos e entregou-lhe o lenço com o qual havia enxugado o rosto a fim de que chegasse para o advogado Teófilo.

O menino entregou o lenço, justamente na hora em que Doroteia foi decapitada (no ano de 304) e Teófilo entendeu a mensagem de Cristo, e de perseguidor dos cristãos, converteu-se pelo testemunho e intercessão da santa mártir aceitando livremente morrer decapitado por causa do nome de Jesus.

Santa Doroteia, rogai por nós!

Eclesiástico IV

1. Meu filho, não negues esmola ao pobre, nem dele desvies os olhos.
2. Não desprezes o que tem fome, não irrites o pobre em sua indigência.
3. Não aflijas o coração do infeliz, não recuses tua esmola àquele que está na miséria;
4. não rejeites o pedido do aflito, não desvies o rosto do pobre.
5. Não desvies os olhos do indigente, para que ele não se zangue. Aos que pedem não deis motivo de vos amaldiçoarem pelas costas,
6. pois será atendida a imprecação daquele que te amaldiçoa na amargura de sua alma. Aquele que o criou o atenderá.
7. Torna-te afável na assembléia dos pobres, humilha tua alma diante de um ancião; curva a cabeça diante de um poderoso.
8. Dá ouvidos ao pobre de boa vontade. Paga a tua dívida, dá-lhe com doçura uma resposta apaziguadora.
9. Liberta da casa do orgulhoso aquele que sofre injustiça. Quando fizeres um julgamento, não o faças com azedume.
10. Sê misericordioso com os órfãos como um pai; e sê como um marido para a mãe deles.
11. E serás como um filho obediente do Altíssimo, que, mais do que uma mãe, terá compaixão de ti.
12. A sabedoria inspira a vida aos seus filhos, ela toma sob a sua proteção aqueles que a procuram; ela os precede no caminho da justiça.
13. Aquele que a ama, ama a vida; aqueles que velam para encontrá-la sentirão sua doçura.
14. Aqueles que a possuem terão a vida como herança, e Deus abençoará todo o lugar onde ele entrar.
15. Aqueles que a servem serão obedientes ao Santo; aqueles que a amam serão amados por Deus.
16. Aquele que a ouve julgará as nações; aquele que é atento em contemplá-la permanecerá seguro.
17. Quem nela põe sua confiança tê-la-á como herança e sua posteridade a possuirá,
18. pois na provação ela anda com ele, e escolhe-o em primeiro lugar.
19. Ela traz-lhe o temor, o pavor e a aprovação. Ela o atormenta com sua penosa disciplina, até que, tendo-o experimentado nos seus pensamentos, ela possa confiar nele.
20. Então ela o porá firme, voltará a ele em linha reta. Ela o cumula de alegria,
21. desvenda-lhe seus segredos e enriquece-o com tesouros de ciência, de inteligência e de justiça.
22. Porém, se ele se transviar, ela o abandonará, e o entregará às mãos do seu inimigo.
23. Meu filho, aproveita-te do tempo, evita o mal;
24. para o bem de tua alma, não te envergonhes de dizer a verdade,
25. pois há uma vergonha que conduz ao pecado, e uma vergonha que atrai glória d graça.
26. Em teu próprio prejuízo não te mostres parcial, não mintas em prejuízo de tua alma.
27. Não tenhas complacência com as fragilidade do próximo,
28. não retenhas uma palavra que pode ser salutar, não escondas tua sabedoria pela tua vaidade.
29. Pois a sabedoria faz-se distinguir pela língua; o bom senso, o saber e a doutrina, pela palavra do sábio; e a firmeza, pelos atos de justiça.
30. Não contradigas de nenhum modo a verdade, envergonha-te da mentira cometida por ignorância.
31. Não te envergonhes de confessar os teus pecados; não te tornes escravo de nenhum homem que te leve a pecar.
32. Não resistas face a face ao homem poderoso, não te oponhas ao curso do rio.
33. Combate pela justiça a fim de salvares tua vida; até a morte, combate pela justiça, e Deus combaterá por ti contra teus inimigos.
34. Não sejas precipitado em palavras, e (ao mesmo tempo) covarde e negligente em tuas ações.
35. Não sejas como um leão em tua casa, prejudicando os teus domésticos e tiranizando os que te são submissos.
36. Que tua mão não seja aberta para receber, e fechada para dar.

CAPÍTULO 5 - Da leitura das Sagradas Escrituras

1. Nas Sagradas Escrituras devemos buscar a verdade, e não a eloquência. Todo livro sagrado deve ser lido com o mesmo espírito que o ditou. Nas Escrituras devemos antes buscar nosso proveito que a sutileza da linguagem. Tão grata nos deve ser a leitura dos livros simples e piedosos, como a dos sublimes e profundos. Não te mova a autoridade do escritor, se é ou não de grandes conhecimentos literários; ao contrário, lê com puro amor a verdade. Não procures saber quem o disse; mas considera o que se diz.
2. Os homens passam, mas a verdade do Senhor permanece eternamente (Sl 116,2). De vários modos nos fala Deus, sem acepção de pessoa. A nossa curiosidade nos embaraça, muitas vezes, na leitura das Escrituras; porque queremos compreender e discutir o que se devia passar singelamente. Se queres tirar proveito, lê com humildade, simplicidade e fé, sem cuidar jamais do renome de letrado. Pergunta de boa vontade e ouve calado as palavras dos santos; nem te desagradem as sentenças dos velhos, porque eles não falam sem razão.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Provérbios III

1. Meu filho, não te esqueças de meu ensinamento e guarda meus preceitos em teu coração
2. porque, com longos dias e anos de vida, assegurar-te-ão eles a felicidade.
3. Oxalá a bondade e a fidelidade não se afastem de ti! Ata-as ao teu pescoço, grava-as em teu coração!
4. Assim obterás graça e reputação aos olhos de Deus e dos homens.
5. Que teu coração deposite toda a sua confiança no Senhor! Não te firmes em tua própria sabedoria!
6. Sejam quais forem os teus caminhos, pensa nele, e ele aplainará tuas sendas.
7. Não sejas sábio aos teus próprios olhos, teme o Senhor e afasta-te do mal.
8. Isto será saúde para teu corpo e refrigério para teus ossos.
9. Honra o Senhor com teus haveres, e com as primícias de todas as tuas colheitas.
10. Então, teus celeiros se abarrotarão de trigo e teus lagares transbordarão de vinho.
11. Meu filho, não desprezes a correção do Senhor, nem te espantes de que ele te repreenda,
12. porque o Senhor castiga aquele a quem ama, e pune o filho a quem muito estima.
13. Feliz do homem que encontrou a sabedoria, daquele que adquiriu a inteligência,
14. porque mais vale este lucro que o da prata, e o fruto que se obtém é melhor que o fino ouro.
15. Ela é mais preciosa que as pérolas, jóia alguma a pode igualar.
16. Na mão direita ela sustenta uma longa vida; na esquerda, riqueza e glória.
17. Seus caminhos estão semeados de delícias. Suas veredas são pacíficas.
18. É uma árvore de vida para aqueles que lançarem mãos dela. Quem a ela se apega é um homem feliz.
19. Foi pela sabedoria que o Senhor criou a terra, foi com inteligência que ele formou os céus.
20. Foi pela ciência que se fenderam os abismos, por ela as nuvens destilam o orvalho.
21. Meu filho, guarda a sabedoria e a reflexão, não as percas de vista.
22. Elas serão a vida de tua alma e um adorno para teu pescoço.
23. Então caminharás com segurança, sem que o teu pé tropece.
24. Se te deitares, não terás medo. Uma vez deitado, teu sono será doce.
25. Não terás a recear nem terrores repentinos, nem a tempestade que cai sobre os ímpios,
26. porque o Senhor é tua segurança e preservará teu pé de toda cilada.
27. Não negues um benefício a quem o solicita, quando está em teu poder conceder-lho.
28. Não digas ao teu próximo: Vai, volta depois! Eu te darei amanhã, quando dispões de meios.
29. Não maquines o mal contra teu vizinho, quando ele habita com toda a confiança perto de ti.
30. Não litigues com alguém sem ter motivo, se esse alguém não te fez mal algum.
31. Não invejes o homem violento, nem adotes o seu procedimento,
32. porque o Senhor detesta o que procede mal, mas reserva sua intimidade para os homens retos.
33. Sobre a casa do ímpio pesa a maldição divina, a bênção do Senhor repousa sobre a habitação do justo.
34. Se ele escarnece dos zombadores, concede a graça aos humildes.
35. A glória será o prêmio do sábio, a ignomínia será a herança dos insensatos.

CAPÍTULO 7 - Como se deve fugir à vã esperança e presunção

1. Insensato é quem põe sua esperança nos homens ou nas criaturas. Nào te envergonhes de servir a outrem por Jesus Cristo, e ser tido como pobre neste mundo. Não confies em ti mesmo, mas põe em Deus tua esperança. Faze de tua parte o que puderes, e Deus ajudará tua boa vontade. Não confies em tua ciência, nem na sagacidade de qualquer vivente, mas antes na graça de Deus, que ajuda os humildes e abate os presunçosos. 
2. Se tens riquezas, não te glories delas, nem dos amigos, por serem poderosos, senão em Deus, que dá tudo, além de tudo, deseja dar-se a si mesmo. Não te desvaneças com a airosidade ou formosura de teu corpo, que com pequena enfermidade se quebranta e desfigura. Não te orgulhes de tua habilidade ou de teu talento, para que não desagrades a Deus, de quem é todo bem natural que tiveres.
3. Não te reputes melhor que os outros para não seres considerado pior por Deus, que conhece tudo que há no homem. Não te ensoberbeças pelas boas obras, porque os juízos dos homens são muito diferentes dos de Deus, a quem não raro desagrada o que aos homens apraz. Se em ti houver algum bem, pensa que ainda melhores são os outros, para assim te conservares na humildade. Nenhum mal te fará se te julgares inferior a
todos; muito, porém, se a qualquer pessoa te preferires. De contínua paz goza o humilde; no coração do soberbo, porém, reinam inveja e iras sem conta.