quarta-feira, 1 de abril de 2015

Ofício das Trevas Sexta-feira Santa da Paixão do Senhor

Este ofício é a recitação do Ofício de Leituras combinado com Laudes, na madrugada ou manhã da Sexta-feira Santa da Paixão do Senhor. Não se pode recitá-lo na noite de Quinta-feira Santa nem durante a adoração após a Missa. Deve-se usar outro local que não aquele em que está o monumento.

Havendo sacerdote ou diácono, ele preside, de acordo com a precedência. Deve vestir vestes corais de acordo com seu estado. Não se usam estolas ou pluviais. Os demais clérigos usam também vestes corais. Se um sacerdote ou diácono presidir, deve haver um cerimoniário e alguns acólitos, com sobrepelizes. Um dos acólitos é o encarregado de extinguir as velas após os salmos. É bom haver um grupo de cantores, para entoar os hinos, as antífonas e os salmos.

Se apenas leigos celebrarem o Ofício, um deles dirigirá, com as adaptações indicadas. Se esses leigos forem seminaristas ou religiosos, usarão veste talar ou hábito, com sobrepeliz.

No centro do local onde se celebra o Ofício das Trevas, preferencialmente no coro antes do presbitério, coloca-se um ambão, de onde se dirá os salmos, leituras e orações. O presbítero sentará na sede, acompanhado de dois diáconos, ou de um diácono e o cerimoniário, ou do cerimoniário e outro acólito, se houver. Sendo o diácono a presidir, senta-se ao seu lado o cerimoniário e outro acólito, se houver. O Bispo senta-se no trono ou no faldistório, de acordo com as regras do Cerimonial dos Bispos.

O candelabro de trevas, constando de quinze velas, é colocado em frente ao altar, à sua direita. Essas velas serão apagadas, aos poucos, durante o rito. Além do candelabro de trevas, seis velas podem estar acesas no altar, como se faz durante a Missa Solene, e serão apagadas durante o Benedictus. Um apagador de velas é colocado perto do candelabro de trevas.

Não se usa cruz processional nem velas processionais ou tochas durante o Ofício das Trevas.

Dando início à celebração, os clérigos em veste coral, cerimoniários, acólitos e cantores ou coro entram em silêncio e reverência, de forma processional, vindo o celebrante por último, e se aproximam do altar. Genuflectem ao Santíssimo Sacramento, ou, em sua falta, inclinam-se profundamente diante do altar, e vão para seus lugares.

Para a extinção de cada vela, o acólito responsável pega o apagador, reverencia o altar e vai ao candelabro para cumprir sua função.

No invitatório, no hino, no Evangelho, no Benedictus, nas preces e na oração, bem como na despedida, todos permanecem de pé. Nos salmos e leituras, permanecem sentados, exceto quem lê ou entoa o salmo. Durante a frase que substitui o responsório breve das Laudes, todos se ajoelham, bem como no momento apropriado no Evangelho. No invitatório, faz-se o sinal-da-cruz na boca, e no Benedictus e na bênção, o grande sinal-da-cruz.

Invitatório

V: † Abri os meus lábios, ó Senhor.
R: E minha boca anunciará vosso louvor.

Salmo 94 (95)
Convite ao louvor de Deus
Animai-vos uns aos outros, dia após dia, enquanto ainda se disser ‘hoje’. (Hb 3,13)

Ant. O Cristo, o Filho de Deus, com seu sangue nos remiu.

Vinde, exultemos de alegria no Senhor; *
aclamemos o rochedo que nos salva.
Ao seu encontro caminhemos com louvores, *
e com cantos de alegria o celebremos!

Ant. O Cristo, o Filho de Deus, com seu sangue nos remiu.

Na verdade, o Senhor é o grande Deus, *
o grande Rei, muito maior que os deuses todos.
Tem nas mãos as profundezas dos abismos, *
e as alturas das montanhas lhe pertencem;
o mar é dele, pois foi ele quem o fez, *
e a terra firme suas mãos a modelaram.

Ant. O Cristo, o Filho de Deus, com seu sangue nos remiu.

Vinde adoremos e protremo-nos por terra, *
e ajoelhemos ante o Deus que nos criou!
Porque ele é o nosso Deus, nosso Pastor, †
e nós somos o seu povo e seu rebanho, *
as ovelhas que conduz com sua mão.

Ant. O Cristo, o Filho de Deus, com seu sangue nos remiu.

Oxalá ouvísseis hoje a sua voz: †
"Não fecheis os corações como em Meriba, *
como em Massa, no deserto, aquele dia,
em que outrora vossos pais me provocaram, *
apesar de terem visto as minhas obras. "

Ant. O Cristo, o Filho de Deus, com seu sangue nos remiu.

Quarenta anos desgostou-me aquela raça, †
e eu dise: "Eis um povo transviado, *
seu coração não conheceu os meus caminhos!"
E por isso lhes jurei na minha ira: *
"Não entrarão no meu repouso prometido! "

Ant. O Cristo, o Filho de Deus, com seu sangue nos remiu.

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo, *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

Ant. O Cristo, o Filho de Deus, com seu sangue nos remiu.

Ofício de Leituras

HINO

1 O fel lhe dão por bebida
sobre o madeiro sagrado.
Espinhos, cravos e a lança
ferem seu corpo e seu lado.
No sangue e água que jorram,
mar, terra e céu são lavados.

2 Ó Cruz fiel, sois a árvore
mais nobre em meio às demais,
que selva alguma produz
com flor e frutos iguais.
Ó lenho e cravos tão doces,
um doce peso levais.

3 Árvore, inclina os teus ramos,
abranda as fibras mais duras.
A quem te fez germinar
minora tantas torturas.
Leito mais brando oferece
ao Santo Rei das alturas.

4 Só tu, ó Cruz, mereceste
suster o preço do mundo
e preparar para o náufrago
um porto, em mar tão profundo.
Quis o Cordeiro imolado
banhar-te em sangue fecundo.

5 Glória e poder à Trindade.
Ao Pai e ao Filho, louvor.
Honra ao Espírito Santo.
Eterna glória ao Senhor,
que nos salvou pela graça
e nos remiu pelo amor.

SALMODIA

Ant. 1 Os reis de toda a terra se reúnem e conspiram os governos todos juntos contra o Deus onipotente e o seu Ungido.

Salmo 2
O Messias rei e vencedor
Uniram-se contra Jesus, teu santo servo, a quem ungiste (At 4,27).

Por que os povos agitados se revoltam? *
por que tramam as nações projetos vãos?
Por que os reis de toda a terra se reúnem, †
e conspiram os governos todos juntos *
contra o Deus onipotente e o seu Ungido?

“Vamos quebrar suas correntes”, dizem eles, *
“e lançar longe de nós o seu domínio!”
Ri-se deles o que mora lá nos céus; *
zomba deles o Senhor onipotente.
Ele, então, em sua ira os ameaça, *
e em seu furor os faz tremer, quando lhes diz:

“Fui eu mesmo que escolhi este meu Rei, *
e em Sião, meu monte santo, o consagrei!”
O decreto do Senhor promulgarei, †
foi assim que me falou o Senhor Deus: *
“Tu és meu Filho, e eu hoje te gerei! –

Podes pedir-me, e em resposta eu te darei †
por tua herança os povos todos e as nações, *
e há de ser a terra inteira o teu domínio.
Com cetro férreo haverás de dominá-los, *
e quebrá-los como um vaso de argila!”

E agora, poderosos, entendei; *
soberanos, aprendei esta lição:
Com temor servi a Deus, rendei-lhe glória *
e prestai-lhe homenagem com respeito!

Se o irritais, perecereis pelo caminho, *
pois depressa se acende a sua ira!
– Felizes hão de ser todos aqueles *
que põem sua esperança no Senhor!

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo, *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

Ant. Os reis de toda a terra se reúnem e conspiram os governos todos juntos contra o Deus onipotente e o seu Ungido.

Apagam-se as duas velas mais ao extremo do candelabro de trevas.

Ant. 2 Eles repartem entre si as minhas vestes e sorteiam entre si a minha túnica.

Salmo 21(22),2-23 [24-32]

Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes? *
E ficais longe de meu grito e minha prece?
Ó meu Deus, clamo de dia e não me ouvis, *
clamo de noite e para mim não há resposta!

Vós, no entanto, sois o santo em vosso Templo, *
que habitais entre os louvores de Israel.
Foi em vós que esperaram nossos pais; *
esperaram e vós mesmo os libertastes.
Seu clamor subiu a vós e foram salvos; *
em vós confiaram e não foram enganados.

Quanto a mim, eu sou um verme e não um homem; *
sou o opróbrio e o desprezo das nações.
Riem de mim todos aqueles que me vêem, *
torcem os lábios e sacodem a cabeça:
“Ao Senhor se confiou, ele o liberte *
e agora o salve, se é verdade que ele o ama!”

Desde a minha concepção me conduzistes, *
e no seio maternal me agasalhastes.
Desde quando vim à luz vos fui entregue; *
desde o ventre de minha mãe sois o meu Deus!
Não fiqueis longe de mim, porque padeço; *
ficai perto, pois não há quem me socorra!

Por touros numerosos fui cercado, *
e as feras de Basã me rodearam;
escancararam contra mim as suas bocas, *
como leões devoradores a rugir.

Eu me sinto como a água derramada, *
e meus ossos estão todos deslocados;
como a cera se tornou meu coração, *
e dentro do meu peito se derrete.

Minha garganta está igual ao barro seco, †
minha língua está colada ao céu da boca, *
e por vós fui conduzido ao pó da morte!
Cães numerosos me rodeiam furiosos, *
e por um bando de malvados fui cercado.

Transpassaram minhas mãos e os meus pés *
e eu poso contar todos os meus ossos.
Eis que me olham e, ao ver-me, se deleitam! †
Eles repartem entre si as minhas vestes *
e sorteiam entre si a minha túnica.

Vós, porém, ó meu Senhor, não fiqueis longe, *
ó minha força, vinde logo em meu socorro!
Da espada libertai a minha alma, *
e das garras desses cães, a minha vida!

Arancai-me da goela do leão, *
e a mim tão pobre, desses touros que me atacam!
Anunciarei o vosso nome a meus irmãos *
e no meio da assembléia hei de louvar-vos!

Esta última parte do salmo é facultativa.

Vós que temeis ao Senhor Deus, dai-lhe louvores; †
glorificai-o, descendentes de Jacó, *
e respeitai-o toda a raça de Israel!
Porque Deus não desprezou nem rejeitou *
a miséria do que sofre sem amparo;
não desviou do humilhado a sua face, *
mas o ouviu quando gritava por socorro.

Sois meu louvor em meio à grande assembléia; *
cumpro meus votos ante aqueles que vos temem!
Vosos pobres vão comer e saciar-se, †
e os que procuram o Senhor o louvarão; *
“Seus corações tenham a vida para sempre!”

Lembrem-se disso os confins de toda a terra, *
para que voltem ao Senhor e se convertam,
e se prostrem, adorando, diante dele *
todos os povos e as famílias das nações.

Pois ao Senhor é que pertence a realeza; *
ele domina sobre todas as nações.
Somente a ele adorarão os poderosos, *
e os que voltam para o pó o louvarão.
Para ele há de viver a minha alma, *
toda aminha descendência há de servi-lo;

às futuras gerações anunciará *
o poder e a justiça do Senhor;
ao povo novo que há de vir, ela dirá: *
“Eis a obra que o Senhor realizou!”

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

Ant. Eles repartem entre si as minhas vestes e sorteiam entre si a minha túnica.

Apagam-se as duas velas seguintes em direção ao centro do candelabro de trevas.

Ant. 3 Os que buscam matar, me perseguem e procuram tirar minha vida.

Salmo 37(38)

Repreendei-me, Senhor, mas sem ira; *
corrigi-me, mas não com furor!

Vossas flechas em mim penetraram; *
vossa mão se abateu sobre mim.
Nada resta de são no meu corpo, *
pois com muito rigor me tratastes!

Não há parte sadia em meus ossos, *
pois pequei contra vós, ó Senhor!
Meus pecados me afogam e esmagam, *
como um fardo pesado me oprimem.

Cheiram mal e supuram minhas chagas *
por motivo de minhas loucuras.
Ando triste, abatido, encurvado, *
todo o dia afogado em tristeza.

As entranhas me ardem de febre, *
já não há parte sã no meu corpo.
Meu coração grita e geme de dor, *
esmagado e humilhado demais.

Conheceis meu desejo, Senhor, *
meus gemidos vos são manifestos;
bate rápido o meu coração, †
minhas forças estão me deixando, *
e sem luz os meus olhos se apagam.

Companheiros e amigos se afastam, †
fogem longe das minhas feridas; *
meus parentes mantêm-se à distância.

Armam laços os meus inimigos, *
que procuram tirar minha vida;
os que buscam matar-me ameaçam *
e maquinam traições todo o dia.

Eu me faço de surdo e não ouço, *
eu me faço de mudo e não falo;
semelhante a alguém que não ouve *
e não tem a resposta em sua boca.

Mas, em vós, ó Senhor, eu confio, *
e ouvireis meu lamento, ó meu Deus!
Pois rezei: “Que não zombem de mim, *
nem se riam, se os pés me vacilam!”

Ó Senhor, estou quase caindo, *
minha dor não me larga um momento!
Sim, confesso, Senhor, minha culpa: *
meu pecado me aflige e atormenta.

São bem fortes os meus adversários †
que me vêm atacar sem razão; *
quantos há que sem causa me odeiam!
Eles pagam o bem com o mal, *
porque busco o bem, me perseguem.

Não deixeis vosso servo sozinho, *
ó meu Deus, ficai perto de mim!
Vinde logo trazer-me socorro, *
porque sois para mim salvação!

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

Ant. Os que buscam matar, me perseguem e procuram tirar minha vida.

Apagam-se as duas velas seguintes em direção ao centro do candelabro de trevas.

V. As falsas testemunhas se ergueram.
R. E vomitam violência contra mim.

PRIMEIRA LEITURA

Da Carta aos Hebreus 9,11-28
Cristo, sumo sacerdote, com o seu próprio sangue,
entrou no Santuário uma vez por todas

Irmãos: Cristo veio como sumo-sacerdote dos bens futuros. Através de uma tenda maior e mais perfeita, que não é obra de mãos humanas, isto é, que não faz parte desta criação, e não com o sangue de bodes e bezerros, mas com o seu próprio sangue, ele entrou no Santuário uma vez por todas, obtendo uma redenção eterna. De fato, se o sangue de bodes e touros, e a cinza de novilhas espalhada sobre os seres impuros os santifica e realiza a pureza ritual dos corpos, quanto mais o Sangue de Cristo, purificará a nossa consciência das obras mortas, para servirmos ao Deus vivo, pois, em virtude do espírito eterno, Cristo se ofereceu a si mesmo a Deus como vítima sem mancha.

Por isso, ele é mediador de uma nova aliança. Pela sua morte, ele reparou as transgressões cometidas no decorrer da primeira aliança. E, assim, aqueles que são chamados recebem a promessa da herança eterna. Onde existe testamento, é preciso que seja constatada a morte de quem fez o testamento. Pois um testamento só tem valor depois da morte, e não tem efeito nenhum enquanto ainda vive aquele que fez o testamento. Por isso, nem mesmo a primeira aliança foi inaugurada sem sangue. Quando anunciou a todo o povo cada um dos mandamentos da Lei, Moisés tomou sangue de novilhos e bodes, junto com água, lã vermelha e um hissopo. Em seguida, aspergiu primeiro o próprio livro e todo o povo, e disse: “Este é o sangue da aliança que Deus faz convosco”. Do mesmo modo, aspergiu com sangue também a Tenda e todos os objetos que serviam para o culto. E assim, segundo a Lei, quase todas as coisas são purificadas com sangue, e sem derramamento de sangue não existe perdão.

Portanto, as cópias das realidades celestes tinham que ser purificadas dessa maneira; mas as próprias realidades celestes devem ser purificadas com sacrifícios melhores. De fato, Cristo não entrou num santuário feito por mão humana, imagem do verdadeiro, mas no próprio céu, a fim de comparecer, agora, na presença de Deus, em nosso favor. E não foi para se oferecer a si muitas vezes, como o sumo-sacerdote que, cada ano, entra no Santuário com sangue alheio. Porque, se assim fosse, deveria ter sofrido muitas vezes, desde a fundação do mundo. Mas foi agora, na plenitude dos tempos, que, uma vez por todas, ele se manifestou para destruir o pecado pelo sacrifício de si mesmo. O destino de todo homem é morrer uma só vez, e depois vem o julgamento. Do mesmo modo, também Cristo, oferecido uma vez por todas, para tirar os pecados da multidão, aparecerá uma segunda vez, fora do pecado, para salvar aqueles que o esperam.

RESPONSÓRIO Cf. Is 53,7.12

R. Foi levado como ovelha ao matadouro; e, maltratado, não abriu a sua boca; * Foi condenado para a vida de seu povo.
V. Ele próprio entregou a sua vida e deixou-se colocar entre os facínoras. * Foi condenado.

Apaga-se a próxima vela, à esquerda, no candelabro de trevas.

SEGUNDA LEITURA

Das Catequeses de São João Crisóstomo, bispo
(Cat. 3,13-19: SCh 50,174-177)
(Séc.IV)
O poder do sangue de Cristo

Queres conhecer o poder do sangue de Cristo? Voltemos às figuras que o profetizaram e recordemos a narrativa do Antigo Testamento: Imolai, disse Moisés, um cordeiro de um ano e marcai as portas com o seu sangue (cf. Ex 12,6-7). Que dizes, Moisés? O sangue de um cordeiro tem poder para libertar o homem dotado de razão? É claro que não, responde ele, não porque é sangue, mas por ser figura do sangue do Senhor. Se agora o inimigo, ao invés do sangue simbólico aspergido nas portas, vir brilhar nos lábios dos fiéis, portas do templo dedicado a Cristo, o sangue verdadeiro, fugirá ainda mais para longe.

Queres compreender mais profundamente o poder deste sangue? Repara de onde começou a correr e de que fonte brotou. Começou a brotar da própria cruz, e a sua origem foi o lado do Senhor. Estando Jesus já morto e ainda pregado na cruz, diz o evangelista, um soldado aproximou-se, feriu-lhe o lado com uma lança, e imediatamente saiu água e sangue: a água, como símbolo do batismo; o sangue, como símbolo da eucaristia. O soldado, traspassando-lhe o lado, abriu uma brecha na parede do templo santo, e eu, encontrando um enorme tesouro, alegro-me por ter achado riquezas extraordinárias. Assim aconteceu com este cordeiro. Os judeus mataram um cordeiro e eu recebi o fruto do sacrifício.

De seu lado saiu sangue e água (Jo 19,34). Não quero, querido ouvinte, que trates com superficialidade o segredo de tão grande mistério. Falta-me ainda explicar-te outro significado místico e profundo. Disse que esta água e este sangue são símbolos do batismo e da eucaristia. Foi destes sacramentos que nasceu a santa Igreja, pelo banho da regeneração e pela renovação no Espírito Santo, isto é, pelo batismo e pela eucaristia que brotaram do lado de Cristo. Pois Cristo formou a Igreja de seu lado traspassado, assim como do lado de Adão foi formada Eva, sua esposa.

Por esta razão, a Sagrada Escritura, falando do primeiro homem, usa a expressão osso dos meus ossos e carne da minha carne (Gn 2,23), que São Paulo refere, aludindo ao lado de Cristo. Pois assim como Deus formou a mulher do lado do homem, também Cristo, de seu lado, nos deu a água e o sangue para que surgisse a Igreja. E assim como Deus abriu o lado de Adão enquanto ele dormia, também Cristo nos deu a água e o sangue durante o sono de sua morte.

Vede como Cristo se uniu à sua esposa, vede com que alimento nos sacia. Do mesmo alimento nos faz nascer e nos nutre. Assim como a mulher, impulsionada pelo amor natural, alimenta com o próprio leite e o próprio sangue o filho que deu à luz, também Cristo alimenta sempre com o seu sangue aqueles a quem deu o novo nascimento.

RESPONSÓRIO Cf. 1Pd 1,18-19; Ef 2,18; 1Jo 1,7

R. Não foi nem com ouro nem prata que fostes remidos, irmãos; mas sim pelo sangue precioso
de Cristo, o Cordeiro sem mancha. * Por ele nós temos acesso num único Espírito ao Pai.
V. O sangue do Filho de Deus nos lava de todo pecado. * Por ele.

Apaga-se a próxima vela, à direita, no candelabro de trevas.

CÂNTICOS PARA AS VIGÍLIAS

Antífona: Do lado do Senhor crucificado, depois de aberto pela lança do soldado, logo saiu sangue e água para remir-nos.

Cântico I - Jr 14,17-21
Lamentação em tempo de fome e de guerra
O Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho! (Mc 1,15).

Os meus olhos, noite e dia, *
chorem lágrimas sem fim;
pois sofreu um golpe horrível, †
foi ferida gravemente *
a virgem filha do meu povo!

Se eu saio para os campos, *
eis os mortos à espada;
se eu entro na cidade, *
eis as vítimas da fome!

Até o profeta e o sacerdote †
perambulam pela terra *
sem saber o que se passa.
Rejeitastes, por acaso, *
a Judá inteiramente?

Por acaso a vossa alma *
desgostou-se de Sião?
Por que feristes vosso povo *
de um mal que não tem cura?

Esperávamos a paz, *
e não chegou nada de bom;
e o tempo de reerguer-nos, *
mas só vemos o terror!

Conhecemos nossas culpas †
e as de nossos ancestrais, *
pois pecamos contra vós!
Por amor de vosso nome, *
ó Senhor, não nos deixeis!

Não deixeis que se profane *
vosso trono glorioso!
Recordai-vos, ó Senhor! *
Não rompais vossa Aliança!

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

Cântico II – Ez 36,24-28
Deus renovará o seu povo
Eles serão o seu povo, e o próprio Deus estará com eles (Ap 21,3).

Haverei de retirar-vos do meio das nações, †
haverei de reunir-vos de todos os países, *
e de volta eu levarei todos vós à vossa terra.
Haverei de derramar sobre vós uma água pura, †
e de vossas imundícies sereis purificados; *
sim, sereis purificados de toda a idolatria.

Dar-vos-ei um novo espírito e um novo coração; †
tirarei de vosso peito este coração de pedra, *
no lugar colocarei novo coração de carne.
Haverei de derramar meu Espírito em vós †
e farei que caminheis obedecendo a meus preceitos, *
que observeis meus mandamentos e guardeis a minha Lei.

E havereis de habitar aquela terra prometida, †
que nos tempos do passado eu doei a vossos pais, *
e sereis sempre o meu povo e eu serei o vosso Deus!

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

Cântico III – Lm5,1-7.15-17.19-21
Oração na tribulação
Em toda parte e sempre levamos em nós mesmos os sofrimentos mortais de Jesus, para que
também a vida de Jesus seja manifestada em nossa frágil natureza (2Cor 4,10).

Senhor, lembrai-vos do que nos sucedeu, *
olhai e vede a nossa humilhação!
Nossa herança ficou com estrangeiros, *
nossas casas passaram a mãos estranhas!

Somos órfãos, pois já não temos pai, *
nossas mães se tornaram quais viúvas!
Nossa água, compramos por dinheiro, *
nossa lenha nos custa um alto preço!

Perseguidos, com a canga no pescoço, *
sem repouso, estamos esgotados!
Ao Egito e à terra dos Assírios *
estendemos a mão para ter pão.

Pecaram os pais, já não existem; *
levamos as culpas dos seus crimes.
A alegria fugiu dos corações, *
converteu-se em luto a nossa dança!

A coroa caiu-nos da cabeça, *
infelizes de nós, porque pecamos!
Amargurou-se o nosso coração, *
nossos olhos estão anuviados!

Ó Senhor, vós reinais eternamente, *
vosso trono perdura para sempre!
Por que persistir em esquecer-nos? *
Por que, para sempre, abandonar-nos?

Convertei-nos a vós e voltaremos, *
renovai nossos dias, como outrora!

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

Ant. Do lado do Senhor crucificado, depois de aberto pela lança do soldado, logo saiu sangue e água para remir-nos.

EVANGELHO PARA AS VIGÍLIAS

Paixão de nosso Senhor Jesus Cristo segundo Mateus 27,1-2.11-56

Tu és o rei dos judeus?
1 De manhã cedo, todos os sumos sacerdotes e os anciãos do povo convocaram um conselho contra Jesus, para condená-lo à morte. 2 Eles o amararam, levaram-no e o entregaram a Pilatos, o governador.

11 Jesus foi posto diante do governador, e este o interrogou: “Tu és o rei dos judeus?” Jesus declarou: “É como dizes”, 12 e nada respondeu, quando foi acusado pelos sumos sacerdotes e anciãos. 13 Então Pilatos perguntou:“Não estás ouvindo de quanta coisa eles te acusam?” 14 Mas Jesus não respondeu uma só palavra, e o governador ficou muito impressionado. 15 Na festa da Páscoa, o governador costumava soltar o prisioneiro que a multidão quisesse. 16 Naquela ocasião, tinham um prisioneiro famoso, chamado Barrabás. 17 Então Pilatos perguntou à multidão reunida: “Quem vós quereis que eu solte: Barrabás, ou Jesus, a quem chamam de Cristo?” 18 Pilatos bem sabia que eles haviam entregado Jesus por inveja.

19 Enquanto Pilatos estava sentado no tribunal, sua mulher mandou dizer a ele: “Não te envolvas com esse justo! porque esta noite, em sonho, sofri muito por causa dele.” 20 Porém, os sumos sacerdotes e os anciãos convenceram as multidões para que pedissem Barrabás e que fizessem Jesus morrer. 21 O governador tornou a perguntar: “Qual dos dois quereis que eu solte?” Eles gritaram: “Barrabás.” 22 Pilatos perguntou: “Que farei com Jesus, que chamam de Cristo?” Todos gritaram: “Seja crucificado!” 23 Pilatos falou: “Mas, que mal ele fez?” Eles, porém, gritaram com mais força: “Seja crucificado!”

24 Pilatos viu que nada conseguia e que poderia haver uma revolta. Então mandou trazer água, lavou as mãos diante da multidão, e disse: “Eu não sou responsável pelo sangue deste homem. Este é um problema vosso!” 25 O povo todo respondeu: “Que o sangue dele caia sobre nós e sobre os nossos filhos”. 26 Então Pilatos soltou Barrabás, mandou flagelar Jesus, e entregou-o para ser crucificado.

Salve, rei dos judeus!

27 Em seguida, os soldados de Pilatos levaram Jesus ao palácio do governador, e reuniram toda a tropa em volta dele. 28 Tiraram sua roupa e o vestiram com um manto vermelho; =29 depois teceram uma coroa de espinhos, puseram a coroa em sua cabeça, e uma vara em sua mão direita. Então se ajoelharam diante de Jesus e zombaram, dizendo: “Salve, rei dos judeus!” 30 Cuspiram nele e, pegando uma vara, bateram na sua cabeça. 31 Depois de zombar dele, tiraram-lhe o manto vermelho e, de novo, o vestiram com suas próprias roupas. Daí o levaram para crucificar.

Com ele crucificaram dois ladrões

32 Quando saíam, encontraram um homem chamado Simão, da cidade de Cirene, e o obrigaram a carregar a cruz de Jesus. 33 E chegaram a um lugar chamado Gólgota, que quer dizer “lugar de caveira”. 34 Ali deram vinho misturado com fel para Jesus beber. Ele provou, mas não quis beber. 35 Depois de o crucificarem, fizeram um sorteio, repartindo entre si as suas vestes. 36 E ficaram ali sentados, montando guarda. 37 Acima da cabeça de Jesus puseram o motivo da sua condenação: “Este é Jesus, o Rei dos Judeus.”

38 Com ele também crucificaram dois ladrões, um à direita e outro à esquerda de Jesus.

Se és o Filho de Deus, desce da cruz!

39 As pessoas que passavam por ali o insultavam, balançando a cabeça e dizendo: 40 “Tu que ias destruir o Templo e construí-lo de novo em três dias, salva-te a ti mesmo! Se és o Filho de Deus, desce da cruz!” 41 Do mesmo modo, os sumos sacerdotes, junto com os mestres da Lei e os anciãos, também zombaram de Jesus: 42 “A outros salvou. a si mesmo não pode salvar! É Rei de Israel. Desça agora da cruz! e acreditaremos nele. 43 Confiou em Deus; que o livre agora, se é que Deus o ama! Já que ele disse: Eu sou o Filho de Deus.” 44 Do mesmo modo, também os dois ladrões que foram crucificados com Jesus o insultavam.

Eli, Eli, lamá sabactâni?

45 Desde o meio-dia até às três horas da tarde, houve escuridão sobre toda a terra. 46 Pelas três horas da tarde, Jesus deu um forte grito: “Eli, Eli, lamá sabactâni?”, que quer dizer: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” 47 Alguns dos que ali estavam, ouvindo-o, disseram: “Ele está chamando Elias!” 48 E logo um deles, correndo, pegou uma esponja, ensopou-a em vinagre, colocou-a na ponta de uma vara, e lhe deu para beber. 49 Outros, porém, disseram: “Deixa, vamos ver se Elias vem salvá-lo!” 50Então Jesus deu outra vez um forte grito e entregou o espírito.

Aqui todos se ajoelham, permanecendo assim por algum tempo.

51 E eis que a cortina do santuário rasgou-se de alto a baixo, em duas partes, a terra tremeu e as pedras se partiram. 52 Os túmulos se abriram e muitos corpos dos santos falecidos ressuscitaram! 53 Saindo dos túmulos, depois da ressurreição de Jesus, apareceram na Cidade Santa e foram vistos por muitas pessoas. 54 O oficial e os soldados que estavam com ele guardando Jesus, ao notarem o terremoto e tudo que havia acontecido, ficaram com muito medo e disseram: “Ele era mesmo Filho de Deus!”

55 Grande número de mulheres estava ali, olhando de longe. Elas haviam acompanhado Jesus desde a Galiléia, prestando-lhe serviços. 56 Entre elas estavam Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu.

Laudes

SALMODIA

Ant. 1 Deus não poupou seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós.

Salmo 50(51)
Tende piedade, ó meu Deus!
Renovai o vosso espírito e a vossa mentalidade. Revesti o homem novo (Ef 4,23-24).

Tende piedade, ó meu Deus, misericórdia! *
Na imensidão de vosso amor,purificai-me!
Lavai-me todo inteiro do pecado, *
e apagai completamente a minha culpa!

Eu reconheço toda a minha iniqüidade, *
o meu pecado está sempre à minha frente.
Foi contra vós, só contra vós, que eu pequei, *
e pratiquei o que é mau aos vossos olhos! –

Mostrais assim quanto sois justo na sentença, *
e quanto é reto o julgamento que fazeis.
Vede, Senhor, que eu nasci na iniqüidade *
e pecador já minha mãe me concebeu.

Mas vós amais os corações que são sinceros, *
na intimidade me ensinais sabedoria.
Aspergi-me e serei puro do pecado, *
e mais branco do que a neve ficarei.

Fazei-me ouvir cantos de festa e de alegria, *
e exultarão estes meus ossos que esmagastes.
Desviai o vosso olhar dos meus pecados *
e apagai todas as minhas transgressões!

Criai em mim um coração que seja puro, *
dai-me de novo um espírito decidido.
Ó Senhor, não me afasteis de vossa face, *
nem retireis de mim o vosso Santo Espírito!

Dai-me de novo a alegria de ser salvo *
e confirmai-me com espírito generoso!
Ensinarei vosso caminho aos pecadores, *
e para vós se voltarão os transviados.

Da morte como pena, libertai-me, *
e minha língua exaltará vossa justiça!
Abri meus lábios, ó Senhor, para cantar, *
e minha boca anunciará vosso louvor!

Pois não são de vosso agrado os sacrifícios, *
e, se oferto um holocausto, o rejeitais.
Meu sacrifício é minha alma penitente, *
não desprezeis um coração arrependido!

Sede benigno com Sião, por vossa graça, *
reconstruí Jerusalém e os seus muros!
E aceitareis o verdadeiro sacrifício, *
os holocaustos e oblações em vosso altar!

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

Ant. Deus não poupou seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós.

Apagam-se as duas velas seguintes em direção ao centro do candelabro de trevas.

Ant. 2 Jesus Cristo nos amou até o fim e lavou nossos pecados com seu sangue.


Cântico Hab 3,2-4.13a.15-19
Deus há de vir para julgar
Erguei a cabeça, porque a vossa libertação está próxima (Lc 21,28).

Eu ouvi vossa mensagem, ó Senhor, *
e enchi-me de temor.
Manifestai a vossa obra pelos tempos *
e tornai-a conhecida.

Ó Senhor, mesmo na cólera, lembrai-vos *
de ter misericórdia!
Deus virá lá das montanhas de Temã, *
e o Santo, de Farã.

O céu se enche com a sua majestade, *
e a terra, com sua glória.
Seu esplendor é fulgurante como o sol, *
saem raios de suas mãos.

Nelas se oculta o seu poder como num véu, *
seu poder vitorioso.
Para salvar o vosso povo vós saístes, *
para salvar o vosso Ungido.

E lançastes pelo mar vossos cavalos *
no turbilhão das grandes águas.
Ao ouvi-lo estremeceram-me as entranhas *
e tremeram os meus lábios.

A cárie penetrou-me até os ossos, *
e meus passos vacilaram.
Confiante espero o dia da aflição, *
que virá contra o opressor.

Ainda que a figueira não floresça *
nem a vinha dê seus frutos,
a oliveira não dê mais o seu azeite, *
nem os campos, a comida;

mesmo que faltem as ovelhas nos apriscos *
e o gado nos curais:
mesmo assim eu me alegro no Senhor, *
exulto em Deus, meu Salvador!

O meu Deus e meu Senhor é minha força *
e me faz ágil como a corça;
para as alturas me conduz com segurança *
ao cântico de salmos.

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

Ant. Jesus Cristo nos amou até o fim e lavou nossos pecados com seu sangue.

Apagam-se as duas velas seguintes em direção ao centro do candelabro de trevas.

Ant. 3 Adoramos, Senhor, vosso madeiro, vossa ressurreição nós celebramos. A alegria chegou ao mundo inteiro, pela cruz que nós hoje veneramos.

Salmo 147(147 B)
Restauração de Jerusalém
Vem! Vou mostrar-te a noiva, a esposa do Cordeiro! (Ap 21,9).

Glorifica o Senhor, Jerusalém! *
Ó Sião, canta louvores ao teu Deus!

Pois reforçou com segurança as tuas portas, *
e os teus filhos em teu seio abençoou;
a paz em teus limites garantiu *
e te dá como alimento a flor do trigo.

Ele envia suas ordens para a terra, *
e a palavra que ele diz core veloz;
ele faz cair a neve como lã *
e espalha a geada como cinza. –

Como de pão lança as migalhas do granizo, *
a seu frio as águas ficam congeladas.
Ele envia sua palavra e as derrete, *
sopra o vento e de novo as águas corem.

Anuncia a Jacó sua palavra, *
seus preceitos e suas leis a Israel.
Nenhum povo recebeu tanto carinho, *
a nenhum outro revelou os seus preceitos.

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

Ant. Glorifica Adoramos, Senhor, vosso madeiro, vossa ressurreição nós celebramos. A alegria chegou ao mundo inteiro, pela cruz que nós hoje veneramos.

Apagam-se as duas velas seguintes em direção ao centro do candelabro de trevas.

LEITURA BREVE Is 52,13-15

Ei-lo, o meu Servo será bem sucedido; sua ascensão será ao mais alto grau. Assim como muitos
ficaram pasmados ao vê-lo – tão desfigurado ele estava que não parecia ser um homem ou ter
aspecto humano – do mesmo modo ele espalhará sua fama entre os povos. Diante dele os reis se manterão em silêncio, vendo algo que nunca lhes foi narrado e conhecendo coisas que jamais ouviram.

Em lugar do responsório se diz, de joelhos:

Ant. Jesus Cristo se humilhou e se fez obediente, obediente até à morte e morte de cruz.

BENEDICTUS Lc 1, 68-79

Durante o Benedictus, se houver as seis velas do altar, o acólito responsável por apagá-las, munido do apagador, dirige-se ao altar, faz a inclinação profunda, e procede à cerimônia. A partir do sexto verso, ele vai à extrema esquerda do altar, e apaga essa vela. Depois, vai à extrema direita, para apagar a vela correspondente. Volta, então, à esquerda, para apagar a próxima, e, então, à direita, e assim por diante, de modo a apagar todas as seis velas nos últimos seis versos. Feita a cerimônia, inclina-se profundamente ao altar, e volta ao seu lugar.

Ant. Acima de sua cabeça puseram escrito o motivo da culpa e do crime de Cristo: Jesus Nazareno, o Rei dos judeus.

Bendito † seja o Senhor Deus de Israel, *
que a seu povo visitou e libertou;
e fez surgir um poderoso Salvador *
na casa de Davi, seu servidor,
como falara pela boca de seus santos, *
os profetas desde os tempos mais antigos,
para salvar-nos do poder dos inimigos *
e da mão de todos quantos nos odeiam.
Assim mostrou misericórdia a nossos pais, *
recordando a sua santa Aliança
e o juramento a Abraão, o nosso pai, *
de conceder-nos que, libertos do inimigo,
a ele nós sirvamos sem temor †
em santidade e em justiça diante dele, *
enquanto perdurarem nossos dias.
Serás profeta do Altíssimo, ó menino, †
pois irás andando à frente do Senhor *
para aplainar e preparar os seus caminhos,
anunciando ao seu povo a salvação, *
que está na remissão de seus pecados.
Pelo amor do coração de nosso Deus, *
Sol nascente que nos veio visitar
lá do alto como luz resplandecente *
a iluminar a quantos jazem entre as trevas
e na sombra da morte estão sentados †
e para dirigir os nossos passos, *
guiando-nos no caminho da paz.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

Ant. Acima de sua cabeça puseram escrito o motivo da culpa e do crime de Cristo: Jesus Nazareno, o Rei dos judeus.

PRECES

Adoremos com sincera piedade a Cristo, nosso Redentor, que por nós sofreu a Paixão e foi
sepultado para ressuscitar ao terceiro dia; e peçamos humildemente:
Senhor, tende piedade de nós!

Cristo, nosso Mestre e Senhor, obediente até à morte por nosso amor,
– ensinai-nos a obedecer sempre à vontade do Pai.
Senhor, tende piedade de nós!

Cristo, nossa vida, que morrendo na cruz, destruístes o poder da morte e do inferno,
– ensinai-nos a morrer convosco, para merecermos também ressuscitar convosco na glória.
Senhor, tende piedade de nós!

Cristo, nosso Rei, que fostes desprezado como um verme e humilhado como a vergonha do gênero humano,
– ensinai-nos a imitar a vossa humildade salvadora.
Senhor, tende piedade de nós!

Cristo, nossa salvação, que destes a vida por amor dos seres humanos, vossos irmãos e irmãs,
– fazei que nos amemos uns aos outros com a mesma caridade.
Senhor, tende piedade de nós!

Cristo, nosso Salvador, que de braços abertos na cruz quisestes atrair para vós a humanidade inteira,
– reuni em vosso reino os filhos e as filhas de Deus dispersos pelo mundo.
Senhor, tende piedade de nós!

Pai nosso que estais nos céus,
santificado seja o vosso nome;
venha a nós o vosso reino,
seja feita a vossa vontade,
assim na terra como no céu;
o pão nosso de cada dia nos dai hoje;
perdoai-nos as nossas ofensas,
assim como nós perdoamos
a quem nos tem ofendido,
e não nos deixeis cair em tentação,
mas livrai-nos do mal.

ORAÇÃO

Olhai com amor, ó Pai, esta vossa família, pela qual nosso Senhor Jesus Cristo livremente se
entregou às mãos dos inimigos e sofreu o suplício da cruz. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
R. Amém.

Se um sacerdote ou diácono preside o Ofício, é ele quem despede o povo, dizendo:
V. O Senhor esteja convosco.
R. Ele está no meio de nós.
V. Abençoe-vos Deus todo-poderoso, Pai e Filho † e Espírito Santo.
R. Amém.

Dada a bênção, acrescenta-se:
V. Ide em paz e o Senhor vos acompanhe.
R. Graças a Deus.

Não havendo sacerdote, ou diácono, e na recitação individual, conclui-se assim:
O Senhor nos abençoe, nos livre de todo o mal e nos conduza à vida eterna.
R. Amém.

Faz-se o strepitus com um pedaço de madeira ou o breviário, significando o terremoto ocorrido na morte de Jesus. Os demais podem juntar-se ao strepitus com seus breviários. Apaga-se a última vela do candelabro de trevas.

Oração a Jesus Libertador



Eu venho a Ti, Senhor Jesus, como a meu Libertador. 
Tu conheces todos os meus problemas, todas as coisas que me amarram, que me atormentam, corrompem e incomodam. 
Eu me recuso, neste momento, a aceitar qualquer coisa de satanás e me desligo de espíritos das trevas, de toda influência negativa e maligna, de todo cativeiro satânico, de todo espírito em mim que não seja espírito de Deus, e ordeno a todos os espíritos relacionados com satanás que nos deixem agora e não voltem nunca mais, prostrando-se aos pés da santa cruz de Jesus Cristo, para sempre. Confesso que meu corpo é templo do Espírito Santo: redimido, lavado, santificado, justificado pelo Sangue de Jesus. 
Portanto, satanás não tem lugar em mim e nenhum poder sobre mim, por causa do Sangue de Jesus. Amém.

Fonte: Pocket Terço

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Coroinha ao Sagrado Coração de Jesus - Padre Pio de Pietrelcina


COROINHA AO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS 


 I – Ó meu Jesus que dissestes: “Em verdade eu vos digo, pedi e recebereis, procurai e achareis, batei e vos será aberto!”, eu bato, procuro e peço a graça... 

Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai. 
Sagrado Coração de Jesus, confio e espero em vós. 

II – Ó meu Jesus que dissestes: “Em verdade eu vos digo, tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome, Ele vos concederá!”, ao vosso Pai, em vosso nome, eu peço a graça... 

Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai. 
Sagrado Coração de Jesus, confio e espero em vós. 

III – Ó meu Jesus que dissestes: “Em verdade eu vos digo, passará o Céu e a Terra, mas minhas palavras não passarão!”, apoiado na infalibilidade de vossas palavras, eu peço a graça... 

Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai.
Sagrado Coração de Jesus, confio e espero em vós. 

Ó Sagrado Coração de Jesus, a quem é impossível não ter compaixão dos infelizes, tende piedade de nós, pobres pecadores, e concedei-nos as graças que vos pedimos, por meio do Imaculado Coração de Maria, vossa e nossa terna Mãe. São José, Pai putativo do Sagrado Coração de Jesus, rogai por nós. Salve Rainha. 

Obs.: Padre Pio recitava esta coroinha diariamente, por todos os que pediam suas orações. Os fiéis, por isso, são convidados a rezá-la todos os dias, para se unir espiritualmente à oração de Padre Pio. 

Fonte: padrepiogroup.com

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Meditação sobre a Perseverança - Padre Pio



“Que Jesus e Maria sejam sempre louvados! 

Jesus nos disse no Evangelho que o prêmio é destinado não a quem começa bem, nem a quem continua no caminho do bem por um certo tempo, mas a quem persevera até o fim.

Portanto, quem começou, procure perseverar sempre melhor. Quem está prosseguindo, procure chegar até o fim. E, quem desgraçadamente não começou ainda, ponha-se no caminho correto. Esforcemo-nos todos em perseverar. 

Sei que é uma tarefa bastante difícil. Porém, com o exemplo dos santos e com o auxílio da Virgem Santíssima, a graça de Deus, que está sempre pronta para quem a procura, nunca nos faltará. 

Por isso, revistamo-nos de constância, de paciência e de perseverança. 

E, então, se verificará em nós aquilo que o próprio Jesus nos disse no Evangelho: “Aquele que persevera até o fim, esse se salvará!” 

Desejo a todos uma boa noite, cheia de graças e de bênçãos. 

E uma benção muito especial não somente a vocês, mas a todos aqueles que estão nos seus corações; especialmente às suas famílias e as pessoas a quem vocês querem bem. 

Mas, de modo especial, uma benção aos pobres doentes e aos sofredores. Que o Senhor infunda neles coragem e perseverança, e lhes dê saúde. 

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém. 

Que Jesus e Maria sejam sempre louvados!”

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

"A amizade, cuja fonte é Deus, não se esgota nunca, dizem os santos".


Aos meus amigos de fé e na fé, meus sinceros agradecimentos. 
Ressaltando a importância daquilo de mais nobre que existe entre nós, partilho um texto recebido de um amigo - Leonardo Brunelli Terra

Do Professor Felipe Aquino que escreve: 

 "A amizade, cuja fonte é Deus, não se esgota nunca, dizem os santos". 

Alguém disse que o amigo é algo especial que Deus inventou para cuidar da gente. A Palavra de Deus diz que “um amigo fiel é uma poderosa proteção: quem o achou, descobriu um tesouro” (Eclo 6, 14) . 

Ora, tesouro é aquilo que nos enriquece. Então, o amigo é alguém que nos faz crescer, nos torna melhores. 
Tive muitos amigos em toda a minha vida. Como as pessoas são diferentes! Graças a Deus, temos amigos de todo tipo: os engraçados, os intelectuais, os que nunca se animam, os que nos mimam, os originais, os que necessitam cuidados, os que são capazes de nos carregar seja qual for nosso estado de ânimo, os que sempre estão atentos, os que só mostram uma pequena parte do que são, os que sempre conseguem o que querem, os corajosos, os que sempre tem uma notícia ou uma novidade para contar, os que entram em casa a qualquer momento, os que nos fazem temer, os organizados, os “folgados” de sempre, os protetores, os de longe, os que não param de trabalhar, os que têm mania de grandeza, os que sempre estão enrolados em algo, os que são capazes de fazer qualquer coisa para evitar que passemos um mal momento, os que necessitam proteção, os brincalhões, os surpreendentes, os que nos fazem rir a qualquer preço, os que são tão ternos, os que sempre estão nos esperando… Quem busca um amigo sem defeito, fica sem amigo. 

Por que a amizade é importante? 

Já no antigo testamento, em diversas passagens, a Palavra nos revela vários ensinamentos acerca da amizade: 

“Azeite e incenso alegram o coração: a bondade de um amigo consola a alma”. (Provérbios 27,9) 

“O amigo ama em todo o tempo: na desgraça, ele se torna um irmão”. (Provérbios 17,17)

“Um amigo fiel é uma poderosa proteção: quem o achou, descobriu um tesouro” (Eclo 6, 14) 

“Dois homens juntos são mais felizes que um isolado, porque obterão um bom salário de seu trabalho. Se um vem a cair, o outro o levanta. Mas ai do homem solitário: se ele cair não há ninguém para o levantar”. (Ecl 4, 9-10)

“Não abandones teu amigo, o amigo de teu pai; não vás à casa do teu irmão em dia de aflição. Vale mais um vizinho que está perto, que um irmão distante”. (Provérbios 27,10) 

O Próprio Jesus, Deus que se fez homem, precisou de amigos, riu e chorou com eles. E quis através deles nos ensinar: 

“Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos. Vós sois meus amigos, se fazeis o que vos mando. Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz seu senhor. Mas chamei-vos amigos, pois vos dei a conhecer tudo quanto ouvi de meu Pai”. Jo 15, 13-15. 

Mas, quem é o verdadeiro amigo? 

O que é mais importante numa amizade? Numa verdadeira amizade é preciso que ambos os amigos cresçam como pessoas humanas, por causa do outro. Uma amizade sem isso fica vazia, sem sentido. E para isso muita coisa é importante numa amizade. Antes de tudo não pode haver nela rivalidade e sim complementariedade; o amigo é aquele que completa o outro; lhe dá aquilo que ele não tem. Não pode haver ciúmes, inveja, competição, orgulho, arrogância; isso destrói a amizade. É importante que neste mesmo tempo se construa a confiança, o respeito, a tolerância, o carinho. 

Nem sempre o que é indulgente conosco é nosso amigo, nem o que nos castiga, nosso inimigo. Santo Agostinho disse que “São melhores as feridas causadas por um amigo que os falsos beijos de um inimigo. É melhor amar com severidade a enganar com suavidade.” 

Os amigos verdadeiros nos ajudam a crescer porque nos revelam o que somos, são como que nossos espelhos, através deles podemos nos enxergar. 

O amigo é aquele que compartilha a nossa dor, e dor compartilhada é dor amenizada. É preciso saber ser amigo. Aquele que não tem necessidade de ninguém, tem muitos amigos. Onde reina a amizade, não existe necessidade. Minha esposa gostava de dizer que “vale mais um amigo do que dinheiro no bolso.”

O que faz o amigo crescer é a fidelidade; ela é a alma da verdadeira amizade. Conta-se que dois amigos inseparáveis foram para uma guerra juntos. Em um combate um deles ficou ferido gravemente, e sem que o outro percebesse ficou caído. Quando o primeiro voltou para a trincheira, percebeu que o amigo não tinha voltado para o abrigo. 

 “Meu amigo ainda não regressou do campo de batalha, senhor. Solicito permissão para ir buscá-lo” — disse o soldado a seu superior.

 “Permissão negada”, respondeu o oficial — “Não quero que você arrisque a sua vida por um homem que provavelmente está morto”’. 

 O soldado, desconsiderando a proibição, saiu, e uma hora mais tarde regressou mortalmente ferido, transportando o cadáver de seu amigo. 

O oficial ficou furioso. 

 “Eu te disse que ele já estava morto! Agora, por causa da sua indisciplina, eu perdi dois homens! Me diga, valeu a pena ir até lá para trazer um cadáver?”. 

E o soldado, moribundo, respondeu: 

“’Claro que sim, senhor! Quando encontrei o meu amigo, ele ainda estava vivo e pôde me dizer: “Eu tinha certeza de que você viria!”. 

“Um amigo é aquele que chega quando todo o mundo já se foi”. 

 Para fazer o amigo crescer é precioso saber entendê-lo, mesmo sendo tão diferente dele. 

 Esses nos ajudam nos momentos difíceis… Podemos esquecer aquele com quem rimos muito, mas nunca nos esqueceremos daquele com quem choramos. 

O laço da tristeza é mais forte que o laço da alegria. 

Na prosperidade os verdadeiros amigos esperam ser chamados; na adversidade, apresentam-se espontaneamente. Na seca, conhecem-se as boas fontes, e na adversidade, os bons amigos. 

Amigo é aquele que nos faz aprender. 

É aquele que sabe tudo a meu respeito e gosta de mim assim mesmo. 

Seja amigo daquele que pode te ensinar muitas coisas, mesmo que ele tenha que lhe dizer verdades amargas. É aquele que o aceita como é, e não se cansa dos seus defeitos. 

O amigo cresce quando você sabe guardar os segredos dele, enxuga as suas lágrimas, previne suas quedas, sabe interpretar os seus olhares e respeitar os seus silêncios sagrados. 

Para fazer o amigo crescer é preciso criar um deserto dentro de nós e aceitar que o amigo venha povoá-lo. O outro cresce quando você fala mais daquilo que lhe interessa do que daquilo que interessa a você. Então ele lhe fará muitas confidências. 

O combustível da amizade é o diálogo, a troca sincera de ideias; não a discussão que é uma luta entre dois homens. Para ajudar o outro a crescer é melhor não demonstrar que ele está errado, mas ajudá-lo a descobrir a verdade por si mesmo. Se você quiser fazer o amigo crescer, comece por amá-lo sinceramente. 

O outro tem a tendência a ser aquilo que você pensa e diz que ele é. 

O elogio sincero tem um poder mágico de fazer o outro crescer. 

Se quiser que o outro progrida, felicite-o sinceramente. Revelar os dons do outro é fazê-lo se descobrir e crescer. 

O amigo verdadeiro é aquele que sabe olhar sem inveja a nossa felicidade. 

O maior esforço da amizade não deve ser o de mostrar nossos defeitos a um amigo, mas fazer com que ele veja os dele. 

O maior bem que podemos fazer ao amigo é levá-lo a descobrir suas riquezas. 

Não hesite em se sujar para tirar um amigo da lama. 

A amizade, cuja fonte é Deus, não se esgota nunca, dizem os santos. 

Nunca desista de ajudar o amigo a vencer uma batalha; não há nem haverá ninguém que tenha caído tão baixo que esteja fora do alcance do amor infinito de Deus e do nosso socorro.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

As Três Ave Marias de São Bernardo


Oh! Boa e terna Mãe e verdadeira mãe de misericórdia, que nestes últimos tempos vos denominastes "Mãe toda Misericórdia", eu venho suplicar-vos que useis de misericórdia para comigo. 

Quanto maior for a minha miséria, tanto mais deve ela aumentar vossa compaixão. Eu sei, absolutamente que não mereço a graça preciosa que vos peço, eu que vos tenho contristado tantas e tantas vezes, ofendendo o vosso Divino Filho. 

Mas se fui culpado, muito culpado, arrependo-me sinceramente de ter ferido o coração tão terno de Jesus e o Vosso. Além disso, não sois Vós, como revelastes a uma de suas servas, Santa Brígida, a Mãe dos pecadores arrependidos ?

Perdoa-me, pois minhas ingratidões passadas, e considerando unicamente Vossa bondade e misericórdia, assim como a glória que disso advirá a Deus e a Vós, obtende-me da misericórdia Divina a graça que imploro pela Vossa intercessão. 

Oh! Vós a quem ninguém jamais invocou em vão " Oh! Clemente, Oh! Piedosa, doce sempre Virgem Maria! " dignai-vos socorrer-me, eu vo-lo peço por essa misericordiosa bondade com a qual o Espírito Santo vós cumulou para o nosso bem, em honra da qual Vos digo com Santo Afonso de Ligório, o apóstolo de vossa misericórdia e autor das três Ave-Marias. 

Ave-Maria 

Oh! Maria Virgem Poderosa, a Vós a quem nada é impossível, por esse mesmo poder com que vos agraciou a Pai Todo-Poderoso, eu suplico assisti-me nas necessidades em que me acho, já que podeis socorrer-me,não me abandoneis, Vós que sois a Advogada das causas mais desesperadas! 

Parece-me que a glória de Deus, Vossa Honra e o bem de minha alma estão empenhadas na concessão deste favor. Se, pois como penso esta graça é conforme a muito Santa Vontade de Deus, eu vos peço Onipotência Suplicante, intercedei por mim a Vosso Filho que nada vos pode recusar. Eu vos peço de novo, em nome do poder sem limites que o Pai Celeste vos comunicou e em união com Santa Matilde, a quem revelastes a prática das três Ave-Marias. 

Ave-Maria 

Oh! Virgem Soberana, que sois chamada Trono da Sabedoria, pois a sabedoria incriada, o Verbo Divino, residiu em Vós. Vós a quem este adorável Filho comunicou toda a amplidão de sua ciência divina, na medida em que somente a criatura mais perfeita poderia recebê-la. Vós conheceis a grandeza da minha miséria e a necessidade que tenho da vossa assistência. Confiando em vossa excelsa sabedoria, eu me abandono inteiramente em vossas mãos, a fim de que disponhais tudo com força e doçura, para a maior glória de Deus e o maior bem de minha alma. Digna-vos, pois, vir em meu auxílio pelos meios que sabeis serem os mais próprios para atingir este fim. 

Ave-Maria

Oh! Maria, Mãe da Divina Sabedoria, dignai-vos, eu vos suplico, obter-me a graça preciosa que solicito, eu vo-lo peço em nome desta mesma sabedoria incomparável de que o Verbo, vosso Filho, vos iluminou e em honra do qual vos digo em união com Santo Antônio de Pádua e São Leonardo de Porto Maurício, os mais zelosos pregadores de vossas Três Ave-Marias. 

Salve Rainha

Salve Rainha, Mãe de Misericórdia
Vida, doçura e esperança nossa, Salve!
A Vós bradamos, os degredados filhos de Eva
A Vós suspiramos, gemendo e chorando
neste Vale de Lágrimas.
Eia, pois, advogada nossa
Esses Vossos olhos misericordiosos
A nós volvei!
E depois desse desterro,
Mostrai-nos Jesus, bendito fruto do Vosso Ventre
Ó Clemente,
Ó Piedosa,
Ó Doce Sempre Virgem Maria.
Rogai por nós Santa Mãe de Deus,
Para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Amém.


segunda-feira, 16 de junho de 2014

Partilha - Pe. Airton Freire


Quando alguém decide fazer uma partilha, a mais autêntica, a mais verdadeira, é aquela que se faz da própria vida, a partilha dos bens é um sinal de uma partilha maior e mais profunda, partilhar a vida com o outro é sinal de busca de encontrar no outro o que cessa a aridez da alma tornando-a fecunda. 

Aquele que sabe partilhar, sabe estabelecer o limite entre o avançar e o recuar. Aquele que faz uma partilha sabe o que é seu que ao outro também é devido. Sabe que o que parte do outro se for bem acolhido poderá ser multiplicado e o fruto que tem em ambos a mesma origem poderá tornar outros necessitados igualmente socorridos. na comunidade dos cristãos partilhava-se o pão porque primeiro partilhava-se a vida. de sorte, que entre eles, não havia necessitados, porque o pão era partilhado, a vida era em comum e a vivência fraterna era condição pela qual eles eram reconhecidos e o número dos escolhidos aumentavam. Aquele que faz uma partilha não duvida da multiplicidade de beneficiários ou beneficiados que este ato pode gerar, pois não acumula para si o que em benefícios para outros também resultará. Assim crescia a comunidade primitiva numa vivência de fraternidade, na partilha do pão e da Palavra, e nisso Deus neles era glorificado. 

É preciso voltar a refontização. é preciso entender nas páginas do Evangelho, o Espírito que animava os primeiros cristãos e trazer esse Espírito para os tempos atuais afim de que a marca, a vivência fraterna e orientação pela Palavra seja o traço que a muitos atrai. Fica, portanto, o desafio que não pode estar só de forma ocasional, por vezes até por um fio. Fica o desafio de sermos constantes, participantes do mesmo Espírito que animava os primeiros irmãos nossos irmãos cristãos. O Evangelho conta os Atos Apóstolos testemunham como a Palavra foi acolhida por aqueles que não se consideravam povo escolhido, porque Deus age sem medida, pela largueza da misericórdia de seu coração. Se tu te decides a fazer um seguimento precisas saber que antes de ti o Evangelho por outros foi acolhido e no princípio foi matriz de sofrimento. Honra o que te foi transmitido, não te feches a partilhar. Testemunha o Ressuscitado com a tua vida, com ações que preservem a vida, a fim de que a morte no meio de nós não venha se instalar. E dessa forma, o Senhor será mais conhecido, mais amado e glorificado. Desta forma, nós seremos os primeiros a nos tornar um dos outros reconhecidos, reconhecidos porque no meio de nós, Vivo o Senhor já está. Reconheceremos uns aos outros porque testemunharemos que Vivo o Senhor Ressuscitado o Senhor já está. Louvado Seja o Nosso Senhor Jesus Cristo.

Fonte: Retiro dos Consagrantes de 22 à 25 de maio de 2014 - Grupos da Terra


sexta-feira, 13 de junho de 2014

Oração de São Padre Pio de Pietrelcina Papa Paulo VI: "Veja que fama ele alcançou! Que clientela mundial reuniu em torno de si! Mas por quê? Por que era um filósofo? Por que era um sábio? Por que dispunha de meios? Não, mas porque rezava a Missa humildemente, confessava de manhã à noite; era, difícil de dizer, representante estampado dos estigmas de Jesus. Era um homem de oração e de sofrimento." (20 de fevereiro de 1971).


Fica comigo, Senhor! 

Fica Senhor comigo, pois preciso da tua presença para não te esquecer.
Sabes quão facilmente posso te abandonar.
Fica Senhor comigo, porque sou fraco e preciso da tua força para não cair.
Fica Senhor comigo, porque és minha vida, e sem ti perco o fervor.
Fica Senhor comigo, porque és minha luz, e sem ti reina a escuridão.
Fica Senhor comigo, para me mostrar tua vontade.
Fica Senhor comigo, para que ouça tua voz e te siga.
Fica Senhor comigo, pois desejo amar-te e permanecer sempre em tua companhia.
Fica Senhor comigo, se queres que te seja fiel.
Fica Senhor comigo, porque, por mais pobre que seja minha alma, quero que se transforme num lugar de consolação para ti, um ninho de amor.
Fica comigo, Jesus, pois se faz tarde e o dia chega ao fim; a vida passa, e a morte, o julgamento e a eternidade se aproximam.

Preciso de ti para renovar minhas energias e não parar no caminho.
Está ficando tarde, a morte avança e eu tenho medo da escuridão, das tentações, da falta de fé, da cruz, das tristezas.
Oh, quanto preciso de ti, meu Jesus, nesta noite de exílio.

Fica comigo nesta noite, Jesus, pois ao longo da vida, com todos os seus perigos, eu preciso de ti.
Faze, Senhor, que te reconheça como te reconheceram teus discípulos ao partir do pão, a fim de que a Comunhão Eucarística seja a luz a dissipar a escuridão,a força a me sustentar, a única alegria do meu coração.
Fica comigo, Senhor, porque na hora da morte quero estar unido a ti, se não pela Comunhão, ao menos pela graça e pelo amor.
Fica comigo, Jesus. Não peço consolações divinas, porque não às mereço, mas apenas o presente da tua presença, ah, isso sim te suplico!
Fica Senhor comigo, pois é só a ti que procuro teu amor, tua graça, tua vontade, teu coração, teu Espírito, porque te amo, e a única recompensa que te peço é poder amar-te sempre mais.
Como este amor resoluto desejo amar-te de todo o coração enquanto estiver na terra, para continuar a te amar perfeitamente por toda a eternidade.
Amém.

São Padre Pio, rogai por nós!

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Comentário do dia: São Pedro Crisólogo (c. 406-450), Bispo de Ravena, Doutor da Igreja Sermão 108; PL 52, 499

Oferecer um sacrifício a Deus 

«Rogo-vos, pois, irmãos, pela misericórdia de Deus, que ofereçais o vosso corpo como hóstia viva, santa e agradável a Deus» (Rom 12,1). Através deste pedido, o apóstolo Paulo ensina todos os homens a participarem no sacerdócio. […] O homem não procura no exterior o que vai oferecer a Deus, antes traz consigo e em si o que vai sacrificar a Deus para seu próprio bem. […] «Rogo-vos pela misericórdia de Deus.» Irmãos, este sacrifício é à imagem de Cristo, que imolou o seu corpo e ofereceu a sua vida pela vida do mundo. Na verdade, Ele fez do seu corpo um sacrifício vivo, Ele que vive ainda, após ter sido morto. Neste tão grande sacrifício, a morte é aniquilada, é conquistada pelo sacrifício. […] É por isso que os mártires nascem no momento da sua morte e começam a sua vida quando a terminam; vivem quando são mortos e brilham no céu quando, na terra, se pensa que morreram. […] 

O profeta cantou: «Não desejais sacrifícios nem oblações – abristes os meus ouvidos – não pedis holocaustos nem vítimas» (Sl 39,7). Sê simultaneamente o sacrifício oferecido e aquele que o oferece a Deus. Não percas aquilo que o poder de Deus te ofereceu. Veste o manto da santidade. Toma o cinto de castidade. Que Cristo seja o véu da tua cabeça; a cruz, a protecção da tua testa que te dá perseverança. Conserva no teu coração o sacramento das Escrituras divinas. Que a tua oração arda sempre como incenso agradável a Deus. Toma «a espada do Espírito» (Ef 6,17); que o teu coração seja o altar onde poderás, sem temor, oferecer toda a tua pessoa e toda a tua vida. […] 

Oferece a tua fé para punir a descrença; oferece o teu jejum para pôr fim à voracidade; oferece a tua castidade para que a sensualidade morra; sê fervoroso para que a maleficência acabe; faz obras de misericórdia para pôr fim à avareza; e, para suprimir a futilidade, oferece a tua santidade. Deste modo a tua vida tornar-se-á a tua oferenda, se ela não tiver sido ferida pelo pecado. O teu corpo vive, sim, vive, todas as vezes que, ao fazeres o mal morrer em ti, ofereceres a Deus virtudes vivas.

Fonte Arautos do Evangelho