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terça-feira, 29 de novembro de 2011

Caminhos de Existência

O Caminho das Relações Virtuais

Ganha força na vida atual nova maneira de presença. Na sociedade que valoriza o contato e a cultural oral, o corpo físico se revela imprescindível para o encontro humano. Nas cidades pequenas do interior, a praça reunia os jovens para o tradicional footing, onde nasciam os namoros. Lá circulavam as notícias da cidadezinha. A igreja, soberana, do alto de seu lugar, contemplava a vida das pessoas, no simbólico sentido de orientadora do agir.
As distâncias entre as pessoas se cobriam com as cartas. Lentamente as tecnologias do telefone fixo, celular, internet, Skype, MSN deslocam o real para o virtual. Trata-se da crescente substituição do face a face pelas relações feitas pelas vias eletrônicas. As pessoas físicas perdem relevância. Fazem-se presentes pela imagem, mas não se iguala a real. Qualquer interrupção eletrônica a faz desaparecer por decisão ou por problema técnico.
O virtual afeta a psicologia das pessoas. Mostram-se, por elas mesmas, menos responsáveis. Sem o vinculo do olhar, da presença física, sentimo-nos menos comprometidos. O enlace virtual sabe a superficialidade, a jogo, a brincadeira. Nasce do nada e termina no nada. Um toque no “Del” faz desaparecê-lo.
Abre-se aí caminho atraente pelo lado do divertimento. Ensaiam-se também relações perigosas sem aparente risco. A repercussões psicossociais de tal comportamento escapam, em grande parte, do controle de profissionais e da legislação ético-juridica.
A sedução vem do amplíssimo campo para as mais doentias curiosidades. Não faltam casos em que relação virtual acaba por levar alguém ao suicídio, a crimes planejados por grupos dessa via. Possibilidades imprevisíveis para o bem e para o mal.
Quem Viver, Verá!

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Da Celebração Eucarística - Caminhos de Existência

O Caminho do compromisso social cristão

'O cristão descobre que a fé em Jesus não o leva a valorizar unicamente a dimensão humana da existência. O Verbo não se fez carne em vão. Outorgou ao ser humano dignidade única de participar da mesma natureza que o próprio Deus assumiu na história. O cristão espelha-se na encarnação do Verbo. Esta não terminou simplesmente no fato de assumir uma humanidade. Ele poderia ter-se encarnado na cidade grega, centro da cultura daquela época, ou na família imperial romana. Não deixaria de ser encarnação.
Mas não. Escolheu o rincão pobre e desconhecido de Nazaré. Viveu na pobreza e simplicidade de um camponês e artesão durante 30 anos. Depois se fez andarilho missionário, anunciando o reino de Deus. Ele, nessa vocação, manifestou a predileção pelos pobres, enfermos, pecadores e marginalizados do tempo.
O cristão contempla esse caminho. Quer fazer? Tocado interiormente, assume em termos de hoje, opção semelhante a de Jesus. Engaja-se socialmente em nome da fé. Distingue-se do militante político comum, não pela seriedade nem pela causa, mas pela motivação e horizonte de sentido. Move-o o desejo de seguir Jesus. Descortina-se-lhe sentido diferente que o leva até entrega da vida. Não pouco os fizeram, como dom Romero, até o derramamento do sangue.
Acusados de marxistas, na verdade refutam Marx. Pois este dissera que a fé aliena, e esse caminho do compromisso cristão prova o contrário. A fé cristã engaja-se de maneira heroica. A teologia da libertação alimentou esses cristãos na fé, tanto que não tiveram - como aconteceu em outros momentos da história - de abandonar a fé para comprometer-se com a justiça e a libertação dos pobres. A opção pelos pobres torna-se a chave de compreensão desse caminho'.